Denilso Camargo - Líder da equipe que fez a descoberta.

Denilso Camargo – Líder da equipe que fez a descoberta.

A equipe de astrônomos brasileiros, liderada por Denilso Camargo, juntamente com Eduardo Bica e Charles Bonatto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, descobriu sete novos aglomerados localizados invulgarmente longe do disco da Via Láctea. Os resultados foram apresentados em um artigo publicado 03 de julho em arXiv.org, poderia fornecer novas pistas sobre a formação de aglomerado de estrelas.

Grupos incorporados são aglomerados estelares envoltos em uma poeira interestelar ou gás, consistindo de estrelas extremamente jovens. Eles são cruciais para os astrônomos entenderem  melhor a formação de estrelas e evolução estelar. Estudar esses aglomerados poderia revelar a origem das massas estelares, bem como a origem e evolução do disco protoplanetário, onde os processos de formação planetária ocorrem.
Na Via Láctea, a maioria dos grupos incorporados se encontram dentro do disco fino menos de 1.000 anos-luz do plano médio galáctico, especialmente nos braços espirais. No entanto, Camargo e sua equipe detectaram dois aglomerados estelares jovens no início deste ano, e agora depois de perceber mais sete sugerem que eles poderiam ser mais comum na periferia da galáxia do que se pensava.
“Agora, descobrimos sete aglomerados estelares localizados no halo, muito longe do disco. Assim, o presente trabalho representa um novo paradigma na formação de aglomerados estelares, no sentido de que a formação de tais objetos também ocorre no halo e parece ser frequente.”, disse Camargo.

Os cientistas descobriram os novos aglomerados através da análise dos dados fornecidos pelo Largo-campo da NASA Infrared Survey Explorer (WISE). Este telescópio espacial está monitorando toda a galáxia em luz infravermelha, tirando fotos de galáxias remotas, e  principalmente estrelas e asteroides. WISE foi escolhido para este trabalho uma vez que capta grupos incorporados que são invisíveis nos comprimentos de onda ópticos, devido ao fato de que eles estão envolvidos em quantidades significativas de poeira interestelar.

“WISE fornece imagens infravermelhas do céu inteiro, permitindo-nos penetrar no gás e poeira dentro de nuvens moleculares gigantes, em que a formação de estrelas pode ter lugar. Recentemente, descobrimos mais de 1.000 conjuntos embarcados usando WISE”, disse Camargo.

De acordo com o trabalho de pesquisa, três objetos recém-encontrados, designados: C 932, C 934 e C 939, são grupos de alta latitude incorporados, projetado dentro do complexo de nuvens recém-identificados. Estes agrupamentos estão localizados a uma distância vertical de cerca de 16.300 anos-luz abaixo do disco galáctico. Outros novos aglomerados, chamados: C 1074, C 1099, C 1100, e C 1101, estão na faixa de 5.500 a 10.400 anos-luz acima do disco. Todos estes grupos têm menos de cinco milhões de anos.


A equipe observou que as novas descobertas indicam que um halo galáctico estéril pode hospedar formação de estrelas em andamento. As descobertas incorporadas recentemente  fornecem provas de que aglomerado de estrelas podem se formar longe do disco da Via Láctea, em lugares que nem se imaginava possível de isso acontecer.

“A descoberta de aglomerados estelares longe do disco sugere que o halo galáctico tem formado mais ativamente estrelas que se pensava anteriormente. Além disso, uma vez que a maioria dos grupos jovens não sobrevivem por mais de cinco milhões de anos. O halo abriga várias gerações de estrelas formadas em aglomerados”, disse Camargo.

Antes do papel da equipe ser publicado, pensava-se que o processo de formação de estrelas na Via Láctea ocorria no disco, mas não no halo. Assim, Camargo concluiu que este novo estudo representa uma mudança de paradigma, no sentido de que um halo estéril torna-se agora uma série de formação de estrela em curso.

Fonte: phys.org – Denilso Camargo