Resultados publicados na revista científica Nature, mostra que cientistas do Observatório Europeu do Sul (ESO) conseguiram flagrar um novo tipo de formação de estrelas, originadas com material vindo de explosões de buracos negros supermassivos. É a primeira vez que se nota o nascimento de astros luminosos nesse ambiente extremo.

A descoberta foi feita usando o grande telescópio da instituição, o chamado VLT (Very Large Telescope). Segundo a equipe britânica que liderou o estudo, a observação terá muitas consequências para o entendimento de como as galáxias são constituídas e como evoluem.
 A partir do Observatório Paranal, no Chile, foi possível identificar a colisão entre duas galáxias, conhecidas como IRAS F23128-5919, a 600 milhões de anos-luz da Terra. No núcleo delas, notaram grandes rajadas de material saindo de buracos negros. Segundo os cientistas, são como “ventos poderosos e densos” expulsos dos buracos.

As estrelas nascidas ali, conforme os cálculos dos pesquisadores, têm menos que algumas dezenas de milhões de anos de idade. Essas jovens também são especiais por serem mais quentes e mais brilhantes do que as estrelas formadas em ambientes menos extremos.

Com base na análise das suas luzes, os britânicos afirmam que elas estão se afastando do centro, viajando a alta velocidade. “As estrelas que se formam no vento perto do centro da galáxia podem diminuir a velocidade e até começar a voltar para dentro, mas as estrelas que se formam no fluxo experimentam menos desaceleração e podem até voar para fora da galáxia completamente”, explica Helen Russell, coautora do estudo, do Instituto de Astronomia de Cambridge.