Os cientistas finalmente têm uma teoria para o motivo do cometa 67P, conhecido como o cometa que recebeu visita da sonda Rosetta, ter dois lóbulos distintos.

Na verdade, são dois cometas distintos, que se separam, orbitam um ao outro, e se esmagam várias e várias vezes e assim continuam pela eternidade. E independentemente de quão estranho possa parecer esse relacionamento, ele pode ser muito mais comum do que pensávamos.

De acordo com um novo estudo da evolução dos cometas conduzido por pesquisadores das Universidades de Purdue e de Colorado em Boulder. O estudo, publicado na revista Nature, foi inspirado pela observação do “pescoço” que conecta os dois lóbulos do cometa 67P e contém duas grandes rachaduras com mais ou menos o tamanho de um campo de futebol.

Ao observar essas rachaduras em alta resolução nas imagens capturadas pela Rosetta em agosto de 2014, os cientistas Masatoshi Hirabayashi e Daniel Scheeres imediatamente perceberam que eles podiam estar observando traços de uma história violenta.

Para simular a evolução do cometa 67P, os pesquisadores modelaram 100 cometas “clones” sob diversas condições ao longo de 5.000 anos – a expectativa de vida da chamada “família de cometas Júpiter”. Em alguns desses modelos, a taxa de rotação foi reduzida de uma rotação a cada 12 horas para uma rotação a cada 7 a 9 horas. E algo bem interessante aconteceu: o cometa começou a rachar. “Nossa análise de rotação previu exatamente onde essas rachaduras iam se formar”, diz Scheeres em um comunicado.

É possível que o processo de separação e recomposição tenha acontecido durante a vida do 67P, e pode ser que cometas com dois lóbulos sejam bastante comuns. Embora não esteja clara a frequência com que essas separações ocorrem, os pesquisadores notaram que cometas periódicos são regularmente pressionados pelas gravidades do Sol e de Júpiter enquanto atravessam o sistema solar. Isso pode fazer com que eles girem para cima ou para baixo. A taxa de rotação pode ser influenciada também por desgaseificação, isto é, a sublimação de gelos voláteis que fazem o cometa perder massa com o passar do tempo.

Essas repetidas separações podem acelerar o fim do cometa 67P. “Essa é uma das hipóteses levantadas no artigo”, diz Scheeres. “Se o núcleo de um cometa passa por esse processo diversas vezes, isso pode acabar fazendo com que um dos dois lóbulos fique pequeno o suficiente para escapar assim que começar a sua rotação novamente.”

A equipe agora planeja estudar outras imagens do cometa em mais detalhes para ver se eles podem ser sujeitos a forças parecidas. Se esses cometas com dois lóbulos, como o 67P e o Halley, forem realmente cosmicamente comuns, é possível que nosso sistema solar seja cheio de rochas espaciais que mudam de forma e são muito mais dinâmicas do que parecem.

Fonte: Nature