A NASA finalmente revelou uma lista dos locais de pouso para o novo veículo que irá explorar Marte numa missão programada para julho de 2020. Os três finalistas são o nordeste do quadrângulo de Syrtis Major, que pode ter sido aquecido por atividade vulcânica; a cratera Jezero, que pode ter sido abrigo de um lago marciano, e Columbia Hills, dentro da cratera Gusev, local explorado entre o começo e o meio dos anos 2000 pelo rover Spirit.

Embora Jezero seja o favorito entre os cientistas da NASA, nesse caso, o mais desfavorecido pode ser a melhor tentativa para encontrar sinais passados ou presentes de vida no Planeta Vermelho – que é exatamente o que a missão de 2020 planeja fazer.

Uma razão pela qual os cientistas trabalhando no rover de 2020 não estão entusiasmados com Columbia Hills é o fato do local já ter sido explorado. Mas Steve Ruff, um cientista planetário da Universidade do Estado do Arizona, diz que esse não é um motivo válido para excluir o local. Na verdade, ele acha que não estamos examinando as evidências claras.

“Eu não estaria pressionando sobre esse assunto se eu não achasse que fosse necessário [ir para Columbia Hills]”, disse Ruff. “O ponto principal se resume ao que observamos com o rover Spirit, que é algo muito convincente. Nós publicamos observações de que encontramos potenciais bioassinaturas – características nas rochas que podem ter sido formadas por uma combinação de biologia e geologia.”

Ruff está se referindo ao fato de que, em 2007, a Spirit encontrou depósitos de sílica opalina em Columbia Hills. Esses depósitos, que são feitos de um mineral chamado opala amorfa, também encontrada na Terra, geralmente surgem ao redor de fontes termais ou áreas onde atividade vulcânica tenha acontecido.. Em algumas áreas de fontes termais no Chile, a sílica opalina se precipita da água na presença de microorganismos. Ruff acredita que os depósitos de sílica opalina em Marte podem ter se formado de uma maneira similar. Ele estudou esses depósitos em Marte durante anos, inclusive os comparando com aqueles que foram encontrados na Terra.

“Frequentemente, os micróbios influenciam a forma das rochas enquanto elas são formadas”, disse Ruff. “Fluidos de fontes termais são ricos em minerais, e esses pequenos canais de fluidos das fontes possuem comunidades microbianas. Os minerais precipitam, e se existem micróbios nas rochas enquanto elas são formadas a partir dessa precipitação, os micróbios alteram o formato da rocha. Nós achamos que isso é o que vimos próximo do ‘Home Plate’ de Columbia Hills.”


Foto: NASA

A Spirit foi até o local com aparência de um “Home Plate” do baseball em fevereiro de 2007, procurando evidências de um antigo lago na cratera de Gusev. Mas a Spirit acabou encontrando a sílica opalina, que provavelmente se acumulou com o passar de bilhões de anos devido à atividade de fontes termais. De algumas maneiras, essa descoberta foi bem mais interessante, considerando o quão importante são as fontes termais em termos biológicos – elas podem ter sido, na verdade, o primeiro lugar onde se emergiu vida na Terra.

“Basicamente todas as fontes termais da Terra são conhecidas por abrigar vida microbiana”, explicou Ruff. “Esses ambientes possuem a combinação certa de água quente [e] químicos na água”.

Já que sabemos que fontes termais são ambientes habitáveis na Terra – e que depósitos das fontes podem capturar e preservar micróbios –, não é impossível que Columbia Hills esteja escondendo alguns micróbios marcianos fossilizados nos depósitos de sílica opalina.

“Eu acho que [Columbia Hills] oferece a melhor oportunidade, pelo fato do quanto sabemos sobre esses lugares na Terra que são similares daquilo que encontramos em Marte”, disse Ruff. “Fontes termais têm sido o Santo Graal da exploração marciana por décadas, e agora achamos que encontramos uma.”

Nesse ponto, os cientistas envolvidos com a missão parecem desiludidos com a ideia de revisitar Columbia Hills. Alguns sentem que essas missões são muito raras – e caras – para revisitar um local já explorado pela Spirit. Apesar disso, o local pode acabar sendo a nossa melhor tentativa de resolver a questão da vida em Marte.

“É muito claro o porquê desse sentimento existir na comunidade, de que deveríamos colocar o precioso veículo em outro lugar”, disse Ruff. “Mas o fato é que as observações que tivemos de uma rover antiga são tão convincentes em termos de busca por vida em Marte que faz sentido usar essa oportunidade preciosa para voltar. Para mim, esse lugar – essa oportunidade – é o melhor que temos entre os candidatos”.

Fonte: NASA