Há uma distância de 380 anos luz, na constelação de Escorpião, há uma estrela que intriga cientistas há 40 anos. Chamada AR Scorpii, ela brilha e apaga em questão de poucos minutos, como uma lâmpada em um interruptor redutor. Agora astrônomos conseguiram identificar a causa disso, e é mais um lembrete de que o cosmos está cheio de segredos impressionantes.

A AR Scorpii, anteriormente identificada como uma estrela única e variável, é na verdade uma dupla, uma anã branca compacta com o tamanho da Terra mas 200.000 vezes mais massa, e uma anã vermelha fria com um terço do tamanho do Sol. Ao examinar o sistema a partir do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, além do Telescópio Espacial Hubble e outros, astrônomos agora descobriram que a anã branca está girando incrivelmente rápido, carregando elétrons com quase a velocidade da luz.

Conforme a anã branca rodopia, essas partículas energizadas são chicoteadas pelo espaço, atacando a companheira fria e liberando um impulso poderoso de radiação eletromagnética a cada 1,97 minutos.

Essa ligação estelar brutal, documentada na Nature, não apenas nunca havia sido observada anteriormente como sequer tinha sido imaginada. A pulsação de estrelas de nêutrons – objetos extremamente densos formados pelo colapso gravitacional dos restos estelares após uma supernova – já foi observada, mas por mais que algumas teorias previssem que anãs brancas poderiam agir de maneira parecida, os detalhes do comportamento desse sistema, incluindo a fonte dos elétrons que carregam as chibatadas cósmicas, permanecem um enigma.

“A força das pulsações é algo sem precedentes,” diz o autor do estudo Thomas Marsh, da Universidade de Warwick. “Os elétrons de alta energia também são bastante incomuns – há apenas um outro sistema como esse, e elétrons relativísticos são difíceis de entender quando se trata de anãs brancas que geralmente não exibem fenômenos de alta energia. Acho que é isso o que mais me anima – pode ser que estejamos vendo uma nova forma de acelerador cósmico de partículas.”

Marsh e seus colegas – uma equipe que inclui cinco astrônomos amadores – vão continuar estudando essas estrelas de perto através do campo eletromagnético, usando o Very Large Array no Novo México, EUA, e o satélite XMM-Newton de raio-X para coletar emissões de rádio e raio-X, respectivamente. Eles também esperam solucionar a estrutura do feixe de elétrons misterioso. “Até agora parece uma fonte pontual, mas pode ser só uma questão de resolução,” diz Marsh.

Naturalmente, a descoberta da natureza da AR Scorpii fez os astrônomos se questionarem se existem outras estrelas como ela. Apenas o tempo nos dirá isso. Mas enquanto cientistas continuam analisando os mistérios dos sistemas multiestelares, nós podemos continuar com nossas vidas e agradecer por vivermos em um dos cantos mais pacíficos do universo.

Fonte: ESO News

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