Robôs pilotados remotamente transmitiram o que autoridades acreditaram ser uma visão direta do combustível radioativo derretido dentro dos reatores destruídos da usina nuclear de Fukushima Daiichi — uma descoberta enorme, mas que levou longos e dolorosos seis anos para ser alcançada. Nesse meio tempo, o programa para limpar os reatores destruídos passou por vários contratempos e preocupações, incluindo atrasos na programação da companhia de distribuição de energia elétrica japonesa Tepco para iniciar a remover o combustível altamente radioativo, sem falar no contínuo vazamento de pequenas quantidades de substâncias radioativas.

As autoridades japonesas agora esperam poder convencer um público cético de que o pior do desastre já passou, noticiou o New York Times. Porém, não está claro sé é tarde demais, apesar da contratação de sete mil trabalhadores e da implantação de enormes recursos para fazer a região voltar a um nível próximo do normal. Segundo o NYT, as autoridades admitiram que o plano de recuperação — envolvendo a destruição completa da usina, em vez de simplesmente construir um sarcófago de concreto em torno dela, como fizeram os russos com Chernobyl — vai levar décadas e custar dezenas de bilhões de dólares. Atualmente, a Tepco planeja começar a remover os resíduos de um dos três reatores contaminados na usina em 2021, “embora ainda tenham que escolher qual”.

“Até agora, não sabíamos exatamente onde o combustível estava ou com o que ele se parecia”, disse o representante da Tepco Takahiro Kimoto, em entrevista ao NYT. “Agora que vimos isso, podemos fazer planos para recuperá-lo.”

“Eles estão sendo muito metódicos — muito lentos, diriam alguns —, fazendo um esforço cuidadoso para evitar quaisquer equívocos ou surpresas desagradáveis”, acrescentou David Lochbaum, diretor de segurança nuclear da Union of Concerned Scientists. “Eles querem reconquistar a confiança. Aprenderam que a confiança pode ser perdida muito mais rapidamente do que pode ser recuperada.”

Atualmente, os níveis de radiação estão tão altos na instalação arruinada que os robôs enviados para lá são fritos em questão de horas, o que vai exigir o desenvolvimento de uma nova geração de androides com resistência ainda maior à radiação. As autoridades construíram um guindaste na cobertura de um reator derretido, a unidade número 3, para remover o combustível, noticiou o Phys.org. Porém, ele não será usado antes de abril de 2018. A eliminação de resíduos de baixo nível, como “palha de arroz, lodo e cinzas da incineração de resíduos”, apenas começou, escreveu o Japan Times. A eventual eliminação de mais resíduo perigoso será muito mais difícil.

Ao mesmo tempo, as críticas à abordagem do governo também estão se acumulando, com preocupações de que estão pressionando os moradores a voltar para uma área onde a exposição à radiação permanece várias vezes a mais do que o padrão internacional.

 

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Fonte: New York Times