Praticamente todo o gelo da Terra está em algum estado de derretimento. Conforme o gelo se derrete, ele aumenta os níveis do mar. Mas se você estiver curioso para saber exatamente quais geleiras vão inundar quais cantos do planeta, a NASA tem algumas respostas para você.

Um novo estudo publicado na Science Advances, durante a semana, oferece uma visão altamente detalhada do aumento de nível do mar local usando, aparentemente, física reversa e modelos de alta tecnologia. As descobertas mostram quais geleiras e mantos de gelo deveriam preocupar mais aqueles que vivem em Nova York, Sydney ou em qualquer um dos outros 291 portos analisados no estudo.

O avanço alcançado pelo estudo — chamado de mapeamento de impressões digitais em gradiente — veio de uma “mudança de ponto de vista: de alguém que estava em cima do gelo, tentando entender como seu derretimento local iria impactar o nível do mar em algum outro lugar do mundo, para alguém em uma cidade costeira, tentando entender como áreas repletas de gelo ao redor do mundo iriam impactar o aumento do nível do mar localmente”, disse Eric Larour, autor principal do estudo e pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em entrevista por email ao Earther.

Acontece que, às vezes, o gelo mais distante do seu local é que pode oferecer o maior problema. Pegue como exemplos Nova York e a Groenlândia. O manto de gelo da Groenlândia contém gelo suficiente para aumentar os níveis do mar em 6,09 metros caso derretesse por completo. Mas as geleiras que circundam a Groenlândia estão derretendo em ritmos diferentes e vão continuar assim conforme o planeta se aquece.

As novas descobertas apontam para as geleiras no canto nordeste da Groenlândia — aquelas mais distantes de Nova York — como as maiores contribuidoras para o aumento do nível do mar. É aí que entra a física estranha. Os níveis do mar vão, na verdade, diminuir perto de locais em que exista uma perda de gelo grande o bastante, porque agora existe menos puxão gravitacional. Essa informação encorpa pesquisas anteriores feitas por Larour e seus colegas, no ano passado, assim como observações do satélite GRACE, da NASA.

Toda essa água foge com pressa e, nesse caso, acaba no litoral de Nova York. A pesquisa também mostra que o nível do mar em Oslo, na verdade, diminuiria se apenas o nordeste da Groenlândia derretesse, resultado que pegou de surpresa até mesmo os pesquisadores.

“Esperávamos ver variações na maneira como áreas da Groenlândia, por exemplo, afetam a América do Norte e o norte da Europa, mas não de uma forma tão espacialmente diferente”, disse Larour.

A análise resultante foi feita para incluir também a Antártida. O manto de gelo da Antártida Ocidental, que poderia aumentar o nível do mar em até 3,96 metros, já está em um estado que alguns pesquisadores temem ser um colapso imparável. A nova pesquisa mostra que um colapso ali teria um impacto enorme em Sydney, na Austrália.

“A ideia de que nossos oceanos não são banheiras e de que mantos de gelo têm uma aura gravitacional em torno deles é simplesmente muito legal”, disse Robin Bell, pesquisadora de criosfera no Lamont-Doherty Earth Observatory, ao Earther. “É uma dessas coisas sobre as quais as pessoas amam aprender. Esse estudo é o primeiro esforço real para separar esse conceito de que importa de onde o gelo vem.”

Isso não só é legal como também é um grande ativo para planejadores urbanos que esperam entender os riscos que geleiras individuais e mantos de gelo apresentam. Por exemplo, a geleira Peterman, no nordeste da Groenlândia, é uma das de maior velocidade no mundo. Saber isso e que ela é uma das principais impulsionadoras do aumento do nível do mar em Nova York pode ajudar planejadores urbanos a priorizarem a restauração de pântanos ou de paredões em vez de, digamos, melhorar o sistema de esgoto para lidar com os aguaceiros. Embora, sendo sincero, eles provavelmente deveriam fazer ambos.

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