Quando a NASA anunciou no mês passado a descoberta do sistema TRAPPIST-1 fascinou completamente os terráqueos. Tanto para astrônomos quanto para os “crentes dos chapéus de papel-alumínio”, o TRAPPIST-1 é um sinal de esperança na busca por vida alienígena, já que três de seus planetas estão localizados na zona habitável, que possibilita água no estado líquido. Com a água, vem a vida, e, com a vida, surgem teorias conspiratórias alienígenas (ou pelo menos essa é a ideia).

Um novo estudo de Manasvi Lingam e Avi Loeb, da Universidade de Harvard, torna a pergunta sobre vida no TRAPPIST-1 ainda mais atraente: os pesquisadores sugerem que os planetas do sistema estão próximos o bastante entre si para que micróbios possam viajar de um mundo para o outro, por meio de rochas. De acordo com a hipótese da equipe, quando um objeto colide com um planeta do TRAPPIST-1, ele envia materiais ao espaço, que poderiam acabar em um planeta vizinho. Essa ideia de vida viajante é conhecida como a teoria do “panspermia“, e alguns cientistas já sugeriram que a vida na Terra pode ter começado desta maneira — com micróbios de Marte pegando carona até a Terra após um grande impacto.

“As rochas são dirigidas ao espaço”, disse o astrônomo de Harvard Avi Loeb, co-autor do estudo, disse em um comunicado. “Se há vida em um desses planetas, ela pode ter sido preservada dentro dessa rochas e transferida para outro planeta.”

Para testar sua ideia, a equipe criou modelos baseados na maneira como certas espécies na Terra imigraram entre ilhas vizinhas. Eles descobriram que, entre os planetas habitáveis, a probabilidade de transferência de vida é mil vezes maior do que entre a Terra e Marte, já que os planetas estão travados por marés em uma órbita bem empilhada em torno de sua estrela. Se um planeta contém micróbios, é muito provável que os outros também tenham vida.

“Esses planetas são parecidos com ilhas na superfície da Terra, e há estudos de imigração de espécies de uma ilha para a outra. Usamos o mesmo modelo para ilustrar que a probabilidade de transferência de vida é muito alta”, explicou Loeb.

Essa ideia só pode funcionar, é claro, se os planetas do TRAPPIST-1 na zona habitável tiverem atmosferas, afinal, água no estado líquido não pode existir sem ela. Loeb disse que o próximo passo é observar a maneira como os três planetas passam em frente de sua estrela e medir a fração de luz que poderia indicar uma atmosfera. Depois disso, será crucial estudar a composição das atmosferas dos planetas para descobrir se eles têm oxigênio e outros dos chamados “pilares da vida”.

Ao menos no TRAPPIST-1, temos algumas chances de encontrar micróbios, o que mudaria nossa percepção de vida como a conhecemos.

“Podemos rolar os dados três vezes nesse sistema, em comparação com a Terra, que é o único planeta em que sabemos que existe vida no sistema solar. Então, temos pelo menos três chances”, encerrou Loeb.

Imagem do topo: NASA

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